sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O Cavaleiro Vingador: Dores da Perda #3

Quando a névoa se dissipou, eles já estavam próximos de sua casa - a magia de Elga os havia teleportado para lá. Apesar de a primeira vista parecerem seguros, sabiam que precisavam sair dali o mais rápido possível. Só que já era tarde demais: o mago negro já havia os seguido, com sua magia. Vários orcs montados em lobos atrozes já estavam nas redondezas, correndo vorazmente em direção a eles, enquanto atiravam virotes de besta.

- Mãe, os cavalos! - gritou Ledier.

Próximo à casa, havia um pequeno estábulo, onde ficavam dois mangalargas marchadores - considerados os corcéis mais rapidos e fortes do continente. Elga então correu para o estábulo mas, antes que conseguisse chegar, uma bola de fogo enorme passou voando por cima de sua cabeça, atingindo o estábulo e arremessando tudo pelos ares.

- Para a casa! Corram para a casa! - gritou, enquanto movia suas mãos, fazendo gestos misteriosos, e recitava uma melodia mística, fazendo surgir do chão vinhas que constringiam os inimigos que se aproximavam. - Isso deve atrasá-los.

Quando entraram, Frostborn pegou seus dois filhos e os colocou dentro de um pequeno armário, ao passo que Elga, concentrada e novamente dizendo suas palavras místicas, lançou sobre eles uma magia, fazendo-os dormir e tornando o armário invisível. Pouco tempo depois, um forte estrondo fora ouvido: dois orcs, armados com machados de guerra, haviam arrombado a porta, arremesando-a longe. Quando entraram, Frostborn, que já estava preparado para a invasão, atacou-os, tomando o machado de um deles, aplicando-lhe um golpe na garganta e girando em seguida, partindo o crânio do segundo com o machado - a massa encefálica do orc espalhou-se pelo chão, como uma gosma podre e nojenta. Ao voltar-se para sua esposa, Frostborn viu que o mago negro já estava ali dentro, segurando Elga firmemente pelo pescoço. Não suportando ver o sofrimento de sua amada, ele arremessou seu machado em direção ao mago que, num movimento surpreendente, pegou-o antes que o atingisse. O mago, com o machado em mãos, desferiu então um ataque em Elga, cortando-lhe o abdômen e arremesando-a, bastante ferida, no chão. Em seguida, num movimento mais rápido que o bater de asas de uma mosca, ele apareceu em frente a Frostborn, tocando sua pele e a fazendo a apodrecer magicamente, causando grande dor.

Com os dois muito debilitados, o mago os colocou de joelhos, dizendo em seguida palavras que eles não conseguiram compreender. Nesse momento, um orog - uma espécie de orc com maiores capacidades intelectuais - entrou na casa, aproximando-se e traduzindo para eles o que havia sido dito:

- Meu mestre avisou que só perguntará uma única vez: onde estão as crianças? - disse, com voz rude.

Ao verem a criatura, eles a fitaram com um olhar firme, sem demostrar medo, tendo Elga dado uma cusparada de sangue e desdém no mago, em seguida. Nisso, o mago começou a dizer algumas palavras, conjurando algum tipo de magia que fez com que as magias de Elga, impostas sobre seus filhos e o armário, fossem imediatamente dissipadas. Ao acordar, Ledier sentiu um calafrio tenebroso tomar conta de seu corpo. Viu sua mãe coberta de sangue, agonizando em pranto, e seu pai totalmente deformado por uma magia maligna. Ainda fraco pelo efeito da magia, ele viu o mago brandindo uma espada e cortando a cabeça de Elga e Frostborn, num ato cruel e doentio. O barulho dos crânios caindo no chão rígido ecoou pelo interior da casa, soando para Ledier como uma sinfonia de ódio, medo e vingança. Algo tão forte e intenso que não cabia no seu corpo de criança. Uma lágrima logo escorreu apressadamente de seus olhos, tornando-se logo um fluxo constante de desespero tão profundo que a dor que sentia por sua perna fraturada, nem o incomodava. Já Beldarak, mesmo que pasmo e sem acreditar no que acabara de acontecer, ainda estava ciente de que se saísse dali o sacrifício seria ainda maior. Aqueles meninos nunca mais esqueceriam aquela face podre e demoníaca, que matara seus pais sem a menor hesitação.

Após aquilo, o mago saiu da casa, dizendo algumas palavras em tom de comando para os orcs que ali estavam, que por sua vez pegaram as tochas que carregavam e as arremessaram contra a casa, iniciando um incêndio; tendo todos deixado o lugar logo depois. Após alguns minutos, o fogo já havia se alastrado, tornando o calor intenso no interior da casa. Beldarak, saindo do armário e usando todas as suas forças para pegar seu irmão no colo, correu com ele em direção à uma janela, saltando em seguida para o lado de fora. Ao saírem, Beldarak caiu e bateu a cabeça fortemente contra uma pedra, perdendo a consciência. Ledier, saiu rolando pelo chão. Estando ainda desorientado, usou as forças que lhe restavam para ir até seu irmão, tentando socorrê-lo. Ajoelhou diante dele, percebendo logo que ele estava machucado, mas ainda vivo. Quando olhou para a casa, viu que tudo havia se tornado uma enorme fogueira. Na escuridão da noite, aquela imagem de seus pais sendo mortos ainda persistia em sua mente confusa e, vendo que havia perdido tudo, seu lar e seus amados pais, entrou num estado delirante, gritando incessantemente em desespero até desfalecer de cansaço.

Quando recobraram a consciência, os irmãos se uniram e cuidaram de suas feridas. Choraram pela perda, mas ergueram suas cabeças e seguiram em frente, caminhando pelas planícies - em direção oposta à da floresta -, sem destino definido. Após alguns dias viajando a esmo, encontraram a cidade de Galbatroh. Lá foram acolhidos por um amigo de seu pai, o ferreiro Alvor, que deu-lhes um lar. Assim, os irmãos Ledier e Beldarak, juraram que não descansariam até que se vingassem do mago que assassinara seus pais.

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