sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O Cavaleiro Vingador: Dores da Perda #2

No instante em que ouviu aquela voz, Beldarak desequilibrou-se da árvore, caindo ao chão e denunciando assim a sua localização. Vendo aquilo, um dos orcs, portando um gigantesco machado, imediatamente começou a ir em sua direção. Beldarak era habilidoso o suficiente para não se machucar na queda, mas não o suficiente para enfrentar um orc daqueles. Seu irmão,  vendo-o naquela situação, muniu sua funda com uma pedra que achara no chão, atirando-a na direção do orc que ameaçava Beldarak. O golpe não pareceu ter machucado o grande orc, mas foi o suficiente para atrair sua atenção, distraindo-o. Nisso, Beldarak se levantou e tentou inutilmente correr: havia uma força desconhecida o atraindo magicamente, em direção à criatura de negras vestes. Aquilo foi desesperador. Ambos entenderam imediatamente que aquilo não podia ser nada além de magia e que aquele ser horripilante com o punhal certamente deveria ser o mago negro das histórias.

Poucos segundos depois, enquanto Beldarak ainda era puxado em direção ao mago, flechas repentinamente começaram a cortar o ar, atingindo vários orcs na clareira, que caíam sem vida antes mesmo de conseguirem distinguir o que os atingia. Mas Ledier e Beldarak sabiam exatamente a quem pertenciam aquelas flechas. Frostborn apareceu por entre as árvores, logo em seguida, segurando firmemente um lindo arco longo adornado com diamantes, que reluziam à luz da lua. Preparando mais duas flechas e fazendo uma demonstração de destreza quase que sobrenatural, acertou outros dois orcs, que caíram mortos, para alívio de Ledier. 
Enquanto isso, Beldarak caiu aos pés do mago, que o fitava com um olhar diabólico. A chegada de Frostborn certamente acendeu a esperança dele, mas sua natureza calculista o advertira para não relaxar. Preparando-se para o pior, ele sorrateiramente recolheu um punhado de terra com suas mãos. Não tendo percebido isso, o mago pegou-o pelos cabelos e o levantou. Vendo seu reflexo nas pupilas daquele ser maligno, Beldarak então arremessou a terra nos olhos dele que, aturdido, soltou-o. Ao cair, rapidamente tomou o punhal profano da mão do mago, colocando-se logo em guarda, para defender-se - as lições de combate que recebera de seu pai vieram imediatamente à sua mente. Frostborn vendo seu filho em perigo, sacou de sua aljava uma flecha especial, embebida em puro veneno de escorpião atroz - ele as usava geralmente ao caçar animais de grande porte -, atirando-a na direção do mago. Atento à movimentação de Frostborn, um dos orcs saltou habilmente em direção ao mago, fazendo-se como escudo vivo para salvar a vida de seu malévolo mestre e morrendo logo em seguida, espumando freneticamente de sua boca. Ledier, percebendo que seu irmão corria cada vez mais risco, correu em direção a ele, aproveitando-se da confusão. Ao alcança-lo, pegou o punhal de suas mãos e, num movimento preciso, cortou as amarras que prendiam a criatura alada ao altar. O majestoso corcel, não perdeu tempo, batendo logo suas asas gloriosamente - criando assim uma corrente de vento que acabou por derrubar Ledier e o mago ao chão - e voando para longe dali, sem nem ao menos olhar para trás. Um orc, vendo o menino caído, correu em sua direção, numa investida avassaladora. Ergueu seu machado e urrou em fúria, gritando palavras em um idioma incompreensível, mas que certamente significavam ofensas. Quando estava prestes a desferir o golpe fatal contra Ledier, uma flecha acertou violentamente seu pescoço, derrubando-o por cima do pobre menino, fraturando assim uma de suas pernas. Frostborn, percebendo a janela de oportunidade que aquela cadeia de eventos proporcionara, aproximou-se deles e, em mais uma demonstração de suas incríveis capacidades físicas, retirou o cadáver do orc de cima de Ledier, rolando-o para cima do caído mago.

- Corra, meu filho! - gritou Frostborn para Beldarak, enquanto colocava o ferido Ledier em suas costas.

Os dois, dando tudo de si, correram pelo interior da floresta, acabando por chamar a atenção de mais orcs, que se aproximavam da clareira para o ritual. Não demorou para eles se encontrarem totalmente cercados. Repousando Ledier no chão, Frostborn sacou uma adaga e a arremessou entre os olhos de um orc, que já estava pronto para disparar sua besta contra ele - o que nem ao menos atrasou o avanço dos inimigos, que simplesmente ignoraram o companheiro morto. O número de orcs os cercando crescia cada vez mais, tirando lentamente as esperanças daquele pai e seus dois filhos. Até que, quando parecia não haver mais escapatória, uma névoa começou a cobri-los. Sentiram então um perfume doce e suave preenchendo o lugar: era Elga, materializando-se diante deles. Proferindo palavras místicas, ela começou a criar uma névoa, que acabou por encobrir os quatro, fazendo-os desaparecer lentamente. Os orcs, confusos, correram em direção a eles para tentar, em vão, interceptá-los antes que sumissem, mas quando chegaram no lugar que eles estavam já era tarde: não havia mais ninguém ali. 

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