sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Lorde Sarratina: O Monge Sarrador #1

Há muito tempo atrás, um casal de humanos, de nomes Greendolin e Dunga, encontraram uma criança recém-nascida enquanto faziam sua caminhada matinal pela floresta. Ela estava deitada em um cesto feito de galhos verdes como esmeraldas e embalada em lençóis da mais pura seda que já haviam visto. A criança estava abandonada, chorando de fome. Ao verem aquilo, comoveram-se profundamente, tendo logo corrido ao encontro daquele pobre bebê, notando assim que ele não era humano, mas um elfo. Aquilo os deixou espantados, pois nunca houveram relatos de elfos nas redondezas. Nessa hora, a compaixão falou mais alto. Greendolin pegou a criança em seus braços, e a acalentou, deixando-a calma e sorridente. Aquilo encheu o coração do casal de alegria, fazendo-os pensar que aquela pequena vida fosse um presente dos deuses, já que Greendolin era estéril e o maior sonho de Dunga era ser pai. Sem pestanejar, eles o levaram pra casa e cuidaram dele, nomeando-o Paimei - mesmo nome do avô de Dunga, que havia sido monge em um distinto clã.

O tempo passou, tendo Paimei sido embalado noite após noite por histórias e feitos de seu avô e seu Clã das Sarradas Aéreas. Isso marcou profundamente Paimei,  maravilhando-o mesmo depois que crescera,cultivando nele assim o sonho de trilhar os passos de seu avô. Seus pais esperavam muito dele por ser um elfo, queriam que ele se tornasse um grande guerreiro, um mestre da arquearia ou talvez um conhecido mago. Queriam que ele fosse um herói, mas Paimei não pensava assim. Na realidade, nem gostava de ser um elfo, tentando sempre esconder quaisquer resquícios de sua raça. Cobria seus cabelos e orelhas, disfarçava seu sotaque natural. Tudo que Paimei queria era ser como seu avô: um grande monge sarrador.

Já faziam vinte anos desde que ele fora encontrado por seus pais adotivos naquela floresta. Nesse tempo, Paimei treinou incessantemente seu corpo e sua sarrada, nunca se preocupando com as surpresas que o futuro podia estar lhe reservando. Sua única preocupação era a qualidade de sua sarrada. Há relatos de que uma vez, durante seu treinamento, Paimei desferiu uma sarrada tão poderosa que foi capaz de derrubar uma árvore. Porém, Paimei não deixou que aquela impressionante demonstração de poder lhe subisse a cabeça, mantendo sempre o foco em seu treinamento.

Todo ano, havia um importante festival no vilarejo em que Paimei morava. Ele sempre participava, pois era um costume em sua vida, então nem ao menos suspeitava que aquele ano seria diferente dos outros. Em sua preparação para os eventos do festival, tingia seu bigode de loiro, vestia-se com suas túnicas da Lacoste, calçava suas botas da Nike e colocava seus medalhões de ouro élfico - pelo menos o goblin do qual comprou garantia que era ouro élfico legítimo. Então logo partia pro baile, onde era conhecido por todos como “O Terror das Novinhas”, título que adquiriu com o passar dos anos devido ao seu treinamento, que o deixara bastante musculoso e definido, fazendo as novinhas perderem a linha.

Lá, enquanto Paimei dançava e se exibia, um homem o observava com atenção, sem que notasse. Era um senhor de idade aparentemente avançada, que destoava em relação aos outros, por suas vestes e aparência distintas. Ao ver Paimei, o homem teve um vislumbre do passado, identificando-se com ele, pois aquele jovem com uma notória barriga tanquinho lembrava-lhe muito de quando era mais jovem. Aproximou-se então sorrateiramente do jovem e sussurrou em seu ouvido:

- Vejo que tem treinado suas sarradas, meu rapaz.

E ao ouvir aquelas palavras, Paimei lembrou imediatamente de todas as histórias que seu pai já havia lhe contado e, com um misto de surpresa e espanto, ele virou para ver quem havia dito aquilo em seu ouvido, surpreendendo-se por sentir que aquele homem era familiar, apesar de nunca antes tê-lo visto.

- O que o senhor disse? Como sabe sobre isso? - perguntou, desconfiado. As únicas pessoas do vilarejo que sabiam sobre o que eram as sarradas pertenciam à família de Paimei.

- Você ainda tem muito o que aprender, jovem rapaz! - respondeu, com um sorriso amigável em seu rosto. - Venha comigo e eu te ensinarei os segredos da sarrada e talvez você consiga um dia alcançar aqueeela a lendááária sarrada aééérea.

- Qual é seu nome, senhor? - perguntou, muito empolgado. - Você é membro do Clã das Sarradas Aéreas?

- Meu nome é Chou Deji e sim, pertenço ao clã. - respondeu.

- Mestre Chou Deji, por favor espere aqui. Irei em casa rapidamente me preparar e volto para sairmos nessa jornada de aperfeiçoamento da sarrada. - suplicou, eufórico, disparando logo em seguida em direção à sua casa.

Ao chegar lá, recolheu seus pertences com grande rapidez, enquanto explicava aos seus pais tudo que havia acontecido. Eles logo entenderam que aquela era a oportunidade que Paimei precisava para alcançar seus objetivos e então, mesmo sem concordar com aquilo, decidiram que ele já tinha idade para tomar suas próprias decisões e buscar por conta própria a realização de seus sonhos. Ao voltar para onde estava, Paimei viu seu futuro mentor o aguardando e, bastante animado, suspirou de alegria:

- Bem, eu disse que voltaria. Desculpe-me pela demora, mestre. Podemos partir? - perguntou, orgulhoso.

Chou Deji então olhou para aquele jovem e mais uma vez lembrou-se de sua mocidade. Ele não disse nada, apenas deu um sorriso e acenou com a cabeça, pondo-se logo a andar. O dia amanhecera enquanto eles partiam dali, e o futuro brilhante que aguardava Paimei começou a ser desenhado, algo que seria tão lendário quanto a própria sarrada aérea.

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